medusa.

por que é tão difícil achar as palavras certas? e sobretudo transformá-las… em fato, ato, dito, nome… em vida… em verdade-momento-fugaz, arrepio, explosão. síncope. delírio. alívio… sei que o silêncio é um ato poderoso quanto tudo o que possa existir de “real”. mas no momento, é uma sutil e certeira tortura; perdição, desperdício. caminhando pela praia vejo pequenos grãos que como espelhos revelam histórias, e desnudam promessas do movimento sobre-humano das coisas. sinto-me incapaz de sorrir intimamente para estas e outros tantos mistérios escondidos sob a espuma do tempo. dissabores? não chegam a tanto. errâncias: contumazes, mórbidas. medusas. uma mirada oblíqua que paralisa os sentidos.

não me importam mais sua origem nem sua natureza… busco apenas outras rotas. correntezas, lemes, acidentes de percurso, qualquer forma eficaz de juntar tantos cacos dos espelhos que quebrei e romper o feitiço.

(Imagem em: http://www.bonesinger.com/images/medusa1.jpg)

1 Comentário(s)

  1. Me senti envolvida tão envolvida pelo texto que quase caminhei na areia. Beijos!


RSS dos Comentários URI de Identificação do Trackback

Publicar um comentário