oceânica

Um vendaval. O mar revolto. Ondas se quebram; na arrebentação renascem em fúria majestosa. Força incompreendida; o mar que tudo carrega, poder que jamais cessa , as águas solitárias de cuja espuma se lançam sonoros gritos na imensidão… maresia, de seu silêncio emerge o desespero que traga a respiração aflita de quem tenta navegar sob a luz difusa do farol. Vagas, mergulhos, cerração. Mensagens em garrafas, perdidas, a lugar nenhum. Uivos, tormentas, rochedos. Promessas de um amanhecer na bonança; que por segundos se estilhaçam entre a correnteza, e logo em seguida renascem com a imprecisão da fé no que é demasiado humano para ser divino. Do alto da torre, vê-se as sereias: ora flutuam, seu ouro reluz contra a correnteza… Tesouros perdidos, dos espelhos resta a busca incessante dos estilhaços de si por entre as marés. As mãos tateiam o desconhecido. No breu, lágrimas de sal, de saudade, se mesclam ao turbilhão. Na correnteza bravia, o toque dos seios. O abraço angustiado, os rumos incertos. Se o banco de corais ou a liberdade do amanhecer na praia, desconhecem. Se encontram. Sem bússola, astrolábio, certezas. Se olham. As ondas batem. O mar…

1 Comentário(s)

  1. mari,
    tem teus textos um certo ritmo contínuo… soa como se rompesses por capricho, apenas para entitular uma fala e outra. mas são uma só. fala da beleza do permanente que destitui a razão de intenções duma forma que julgo me desconcertar, pelo registro que ultimamente não encontro em meus textos. é uma satisfação encontrar, entretanto, algo tão capaz de lidar com tal grau de lirismo, de expressar uma serenidade que só um olhar distanciado mas afetuoso é capaz. como aquilo do amor de mãe, feliz com a distância saudável dum filho que vê crescer… se apropria daquilo que é seu momento e sua memória, mas não do ser que se projeta para um outro mundo.


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